Friday, November 18, 2005

Boa Noite a toda a gente!

Hoje vou publicar um texto que me mandaram e que sinceramente acho genial...
E mais não digo...

ELOGIO AO AMOR - Miguel Esteves Cardoso in Expresso
Quero fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma
razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática.Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se
chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da
lavandaria.Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a
ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-
sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as
pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.
Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas,farto de
compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto
largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá tudo bem, tudo bem", tomadores de bicas,
alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a
saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo
tempo?
O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa
que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso.
Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi
trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos
ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode.Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente
ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto.
O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um
princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não dá para perceber. O
amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não
compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor
é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para
sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda que se nos escapa das mãos. E durante o dia e
durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem.
Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho,
triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir.
A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a vida inteira, o amor não.
Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também.


Espero que gostem!
Agradeço muito a quem me mandou o texto...

Tuesday, November 01, 2005

No more inocence left to kill...

Bem... cá estou eu de regresso, após muito tempo sem inspiração para escrever aqui.

Nem sei bem o que vou escrever, isto há de surgir conforme for teclando. A noite das bruxas passou... uma noite em que os espiritos das trevas saem há rua e uma vez por ano as pessoas aproveitam para se vestirem bem...

Enquanto estes espiritos atormentados saem à rua os espiritos dos mortais atormentam-se com os seus próprios problemas. Problemas estes que se encontram relacionados consigo mesmos ou com os outros que os rodeiam. Este ano consegui rodear-me dos meus amigos e das pessoas de quem eu mais gosto em geral, trazendo uma sombra extenuante no nosso encalço. O caos apossou-se da noite rapidamente e a noite assumiu a forma de uma Mascarada Infernal... Sentimentos impulsionados pelo alcool e pelo próprio espirito que se vivia vieram a intensificar-se à medida que a noite avançava e cada um libertava os seus demonios. Sentimentos tanto positivos como negativos, quentes e frios, devastadores dentro da nossa cabeça que nos fazem sentir os interiores revolverem-se até nos sairem pela boca na forma de palavras que não podemos comtrolar... foi basicamente este o espirito que reinou em mais uma noite dos mortos para os vivos...

Quem disser que nunca passou por estes momentos ou é provavelmente um grande mentiroso ou nunca viveu e é um infeliz... É necessário passar por estas experiencias para se aprender mais alem e fazer da nossa condição humana algo que se possa aproveitar.

Para mim esta foi uma noite dessas em que apesar deste espirito sempre aprendi algumas coisas, sobre mim, sobre os outros e sobre o que é viver, sofrer e ser feliz.

Neste momento, devo dizer que este momento me fz sentir um pouco vazio, mas tenho consciencia de que irá passar e que não devo atormentar a minha mente mais do que ela já está atormentada. A inocencia morreu... a vida continua...

Para acabar vou deixar-vos com isto:

Deamonpainter

walking among shadows
shady characters of faded casts
acting out their last role
beautyful lonely stars

these are my people
these fallen stars
you may think you see us
you never had a part

flickering performance
on a burning stage
in naked daylight
for you to hate

directing the audience
I paint in tones of gray
in shades of black
in cold dismay

I paint my deamons
as scars of blood
in a barren landscape
where all is lost

Arcturus - Sideshow Symphonies